Sou americano de quinta/terceira geração e naturalizado brasileiro, por parte de mãe, então tenho muitos familiares no Brasil que amo muito. Tendo vivenciado censura extrema e a remoção de plataformas nos EUA entre 2019 e 2024, que destruíram meus negócios e minha aposentadoria, e presenciado a espiral descendente no Brasil, sei que posso ser preso lá por escrever. Limitei a comunicação com minha família lá para a segurança deles. Os detalhes compartilhados por @Amuse, sobre Alexandre não ter experiência anterior como juiz, mas como advogado da gangue mais violenta do Brasil, e que ele se tornou o homem mais poderoso do Brasil como Juiz Associado, nem mesmo como Presidente da Suprema Corte, muito menos como Presidente, são um acontecimento assustador que coincide com o aumento do controle do Partido Comunista Chinês na região.
Na história do direito internacional, certos esforços se destacam por sua audácia. A campanha lançada por Martin De Luca contra o Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, é exatamente esse esforço. De Luca, sócio da Boies Schiller Flexner e ex-procurador federal dos EUA, entrou em uma arena que a maioria dos profissionais do direito teme abordar. O argumento constitucional que ele construiu é totalmente inédito, uma teoria jurídica tão inovadora que advogados experientes o aconselharam que ela jamais teria sucesso. Mas De Luca não é o tipo de advogado que foge do impossível. Ele prospera com isso. Seu objetivo é nada menos do que expor e desmantelar o regime de censura exportado pelo juiz mais poderoso do Brasil. Muitos disseram que isso não seria possível. Em breve, eles poderão ser provados errados.
De Luca não é um litigante comum. Ele é um arquiteto de estratégias em um dos terrenos mais complexos imagináveis: a intersecção entre diplomacia, direito constitucional e autoritarismo. Seu histórico comprova isso. Ele desenvolveu o que um colega chamou de “uma caixa de ferramentas inovadora de pontos de pressão transfronteiriços” para libertar americanos detidos injustamente no exterior. Isso inclui garantir a libertação de Marc Fogle do obscuro sistema prisional russo e garantir libertações semelhantes na Venezuela e no México por meio de métodos que evitam a humilhação diplomática das trocas de prisioneiros.
O caso de Marc Fogel, um professor preso na Rússia sob severas leis antidrogas por posse de cannabis com receita médica, é um testemunho da abordagem singular de De Luca. Trabalhando com o governo Trump, ele orquestrou uma recuperação silenciosa, porém decisiva. Nenhuma sanção foi suspensa. Apenas perspicácia jurídica, clareza moral e uma estratégia cuidadosamente construída de influência e pressão. Da mesma forma, De Luca agora lidera o esforço para trazer de volta Stephen Hubbard, um americano detido na Rússia sob acusações enganosas. Hubbard, um professor aposentado apanhado na paranoia da guerra, está agora perto de ser libertado.
No entanto, essas conquistas empalidecem em comparação com a audácia do terceiro ato de De Luca: processar um juiz estrangeiro em exercício da Suprema Corte em um tribunal dos EUA. O alvo, Alexandre de Moraes, não é um juiz qualquer. Ele é, segundo relatos mais sérios, o homem mais poderoso do Brasil. Nomeado para o Supremo Tribunal Federal (STF) em 2017, após a morte do ministro Teori Zavascki em um suspeito acidente aéreo, a confirmação de Moraes foi aprovada à força no Senado em pouco mais de um mês. Seu currículo anterior à posse não incluía experiência judicial. Além de servir como Ministro da Justiça e secretário de Segurança Pública, Moraes passou sua carreira jurídica representando o Primeiro Comando da Capital (PCC), um sindicato criminoso hiperviolento conhecido por narcotráfico, assassinatos e operação de vastas redes de extorsão de dentro das prisões brasileiras. O PCC se tornou uma das gangues transnacionais mais poderosas da América Latina, com alcance que se estende ao Paraguai, Bolívia e até mesmo à Europa. Ela trafica drogas, lava dinheiro e elimina rivais com precisão militar. As ligações anteriores de Moraes com entidades ligadas a essa rede criminosa lançaram uma sombra sombria sobre sua ascensão judicial. Ele era, em suma, um funcionário político promovido a superintendente judicial, um executor de cartel disfarçado de jurista.
Desde que ingressou no STF, Moraes assumiu poderes sem precedentes, o que é uma estranheza, considerando que ele não é o Presidente do Supremo Tribunal Federal, mas apenas um Ministro de Estado. O atual Presidente, Luís Roberto Barroso, detém o título formal, mas é Moraes quem detém o verdadeiro poder. Em 2019, Moraes declarou unilateralmente que o STF teria “jurisdição originária” sobre as chamadas “fake news”, uma designação inédita na história jurídica brasileira. Nunca antes um único Ministro, muito menos um sem o mandato de Presidente do Supremo Tribunal Federal, havia se arrogado uma autoridade tão abrangente. E se houvesse um argumento legítimo para que o Supremo Tribunal Federal exercesse jurisdição originária em tais casos, por que atribuir esse poder apenas a um Ministro de Estado? Por que não atribuí-lo a todo o colegiado de Ministros? Na prática, sua manobra ignorou todas as instâncias inferiores, consolidando as funções de investigador, promotor, juiz de primeira instância e desembargador em suas próprias mãos. Essa anomalia processual não é uma característica incidental de sua atuação. É o mecanismo de seu poder, e faz com que sua influência seja maior que a de seus pares no judiciário, incluindo o próprio Presidente do Supremo Tribunal.
O escopo inicial deste inquérito era modesto. Isso mudou rapidamente. Hoje, a investigação abrange cerca de 5.000 indivíduos. Cerca de 500 foram condenados, recebendo penas de prisão que variam de 1 a 17 anos, por atos que incluem tentativa de golpe de Estado, atentado ao Estado Democrático de Direito e participação em organização criminosa. Entre os condenados estão aliados de alto escalão de Bolsonaro, como Daniel Silveira, ex-deputado condenado a 8 anos de prisão por disseminar as chamadas notícias falsas e atacar as instituições democráticas, e Roberto Jefferson, outro político alinhado a Bolsonaro condenado por acusações semelhantes envolvendo desinformação e incitação. A maioria dos casos restantes permanece em segredo ou sob investigação secreta. As ordens de censura agora se estendem além das fronteiras do Brasil. Elas contêm cláusulas de silêncio que proíbem os alvos de sequer revelarem que estão sob investigação. Moraes comanda uma equipe de 50 policiais da Polícia Federal. Ele viaja em jato militar. Ele suspende autoridades eleitas sem o devido processo legal, como fez com o governador de Brasília após os protestos de 8 de janeiro de 2023. Colegas cochicham que ele mantém “arquivos de todos” e, em off, membros do governo admitem estar “alarmados”.
E por que não seriam? De Moraes alcançou o que a maioria dos autocratas apenas sonha: tornou a crítica a si mesmo legalmente equivalente a um ataque à democracia. Como disse De Luca: “Qualquer coisa que o ataque é um ataque à democracia”. A lógica é quase faucista. Como o ex-diretor do NIAID declarou infamemente, os ataques a ele eram ataques à própria ciência. Da mesma forma, De Moraes reivindica identidade com a democracia. É uma forma assustadora de absolutismo: questioná-lo é convidar a um processo judicial.
Isso nos leva ao processo de De Luca. Ajuizado em um tribunal federal na Flórida, os autores, Rumble e Trump Media & Technology Group (TMTG), argumentam que as ordens de censura extraterritorial de Moraes violam a Primeira Emenda e são inexequíveis em solo americano. As ordens, inicialmente destinadas a silenciar o dissidente brasileiro Allan dos Santos, exigiam a remoção de conteúdo hospedado em servidores nos EUA, operados por empresas americanas, escrito por um residente da Flórida. De Moraes emitiu essas ordens não por canais diplomáticos, mas enviando-as diretamente para a Flórida por e-mail. Suas diretivas vinham acompanhadas da ameaça de multas diárias de quase US$ 10.000 e do fechamento das plataformas.
A própria ideia de que um juiz estrangeiro associado possa emitir unilateralmente ordens de censura vinculativas contra empresas e cidadãos americanos, simplesmente porque seu conteúdo é visível no exterior, é ao mesmo tempo ultrajante e sem precedentes. Nenhuma doutrina jurídica na história da jurisprudência internacional sustenta tal afirmação. Se tolerada, essa tática pode romper a barreira constitucional que protege a liberdade de expressão americana da interferência estrangeira. É um precedente perigoso. Hoje é o Brasil. Amanhã, pode ser a China, o Irã ou a Rússia. E não muito atrás, a União Europeia e o Reino Unido, que já experimentam a regulamentação centralizada da liberdade de expressão, podem se aproveitar disso como uma desculpa legal para o excesso de alcance digital. A ladeira escorregadia não é hipotética. Ela está aqui e, se não for detida neste tribunal, irá se espalhar.
O processo se baseia em sete teorias jurídicas, incluindo violações da Primeira Emenda, da Lei de Decência nas Comunicações §230 e da Lei de Comunicações Armazenadas, bem como dos princípios de cortesia, interferência ilícita e ordem pública previstos na legislação da Flórida. Nas palavras de De Luca: “O Brasil está tentando reescrever a regra. Se o seu conteúdo for visível lá, eles dizem que você está sob jurisdição brasileira. É nessa colina que estamos preparados para lutar.”
Em junho, um juiz federal na Flórida ordenou a entrega da denúncia contra Moraes em seu gabinete em Brasília. O STF recusou-se a aceitá-la. Os oficiais de justiça insistiram que ele deveria ser citado em casa, mas se recusaram a fornecer seu endereço. Em diversas ocasiões, a equipe de Moraes alegou que ele responderia à ação e contestaria as alegações. No entanto, em todas as oportunidades oferecidas, seus advogados não compareceram nem apresentaram resposta. Moraes agora se manteve em silêncio. Os autores estão preparando uma moção de julgamento à revelia. Caso seja bem-sucedida, estabelecerá um precedente extraordinário: mesmo juízes estrangeiros não podem operar impunemente quando suas ações infringem o território constitucional dos EUA.
A doutrina de Moraes não se limita às plataformas. Agora, ela tem como alvo pessoas. Em fevereiro de 2025, o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, iniciou uma campanha pública nos EUA alertando sobre a repressão de Moraes. Sua aparição no Capitólio e com Tucker Carlson provocou uma resposta surpreendente. Moraes ameaçou revogar o passaporte de Bolsonaro sob a autodeclarada doutrina de “atos antidemocráticos” do STF. Enquanto Bolsonaro permaneceu nos EUA, promotores sob a autoridade de Moraes apresentaram acusações criminais acusando-o de tentativas violentas de derrubar o governo brasileiro. O caso, é claro, foi atribuído ao próprio Moraes. Ele se recusou a se retratar.
Isto é mais do que um conflito de interesses. É uma autocracia judicial. Como observou De Luca: “Ele é o investigador, ele é o promotor, ele é o juiz e ele é o juiz de apelação”. Um homem, todos os papéis. Este não é o Estado de Direito. É a lei do Estado.
Há um desconforto crescente dentro do establishment político brasileiro. Publicamente, o governo do presidente Lula defende Moraes. Em particular, pessoas de dentro se ressentem da restrição que ele impõe à sua agenda. Líderes empresariais suspeitam que ele nutre ambições presidenciais. Veículos de comunicação, tanto brasileiros quanto internacionais, passaram a chamá-lo de “o homem mais poderoso do Brasil”. A enorme riqueza que cerca Moraes só aprofundou o cinismo público. Mas por trás do cinismo está o medo. Autoridades eleitas, burocratas nomeados, servidores públicos, executivos de empresas e jornalistas, todos rondam seu nome com cautela. Ninguém ousa confrontá-lo abertamente. Todos estão com medo. O silêncio é tão absoluto, tão uniforme, que evoca a velha parábola do imperador sem roupas, exceto que, neste caso, o imperador também comanda uma força policial federal, um tribunal e um martelo incontestado.
O Departamento de Justiça dos EUA já notificou as autoridades brasileiras de que as ordens de Moraes não têm força aqui. O Secretário de Estado Marco Rubio propôs sanções publicamente. Caso o tribunal decida contra Moraes, ele poderá enfrentar a designação da Lei Magnitsky Global, impedindo viagens e acesso a sistemas bancários internacionais. Essa possibilidade teria alarmado elementos do governo brasileiro. Diplomatas brasileiros que trabalham com o Departamento de Estado têm se mostrado visivelmente desconfortáveis em defender as ações ilegais de Moraes. Solicitados a justificar seus decretos de censura, eles parecem tensos, até mesmo envergonhados, encarregados de defender o indefensável. É o trabalho mais difícil possível, e isso fica evidente. A pretensão de que o Brasil é uma democracia funcional se torna mais tênue a cada dia. Até que Moraes seja removido do poder, o país permanecerá uma democracia apenas no nome. Essa remoção, antes impensável, agora parece cada vez mais plausível, graças em grande parte ao processo de De Luca.
Agora, o processo de De Luca chamou a atenção do próprio presidente Trump. Não é apenas porque sua plataforma Truth Social é citada como autora. Trump entende o que está em jogo: Alexandre de Moraes está usando seu poder judicial para manter o único concorrente viável ao presidente Lula, o ex-presidente Jair Bolsonaro, fora da arena política. De Moraes chegou ao ponto de proibir formalmente Bolsonaro de concorrer a cargos públicos até o ano de 2030, uma medida que, em qualquer democracia verdadeira, provocaria indignação pública e revisão judicial. Duas horas atrás, Trump postou esta mensagem no Truth Social, um aviso direcionado diretamente a de Moraes:
O Brasil está tratando o ex-presidente Jair Bolsonaro de forma terrível. Eu e o mundo assistimos a eles não fazerem nada além de persegui-lo, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano! Ele não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo POVO. Conheci Jair Bolsonaro, e ele foi um líder forte, que realmente amava seu país — além de um negociador muito duro em questões COMERCIAIS. Sua eleição foi muito apertada e agora ele está liderando as pesquisas. Isso nada mais é do que um ataque a um oponente político — algo sobre o qual eu sei muito bem! Aconteceu comigo, vezes 10, e agora nosso país é o “MAIS QUENTE” do mundo! O grande povo do Brasil não tolerará o que está fazendo com seu ex-presidente. Estarei observando de perto a CAÇA ÀS BRUXAS de Jair Bolsonaro, sua família e milhares de seus apoiadores. O único julgamento que deveria estar acontecendo é um julgamento pelos eleitores do Brasil — chama-se Eleição. DEIXE BOLSONARO EM PAZ!”
A declaração de Trump marca uma escalada significativa. Ela coloca Moraes na mira não apenas da lei, mas também da pressão política global. Se Bolsonaro for julgado, insiste Trump, que seja pelo povo brasileiro nas urnas, não em um tribunal controlado por um homem não eleito.
O processo de De Luca não é apenas uma manobra jurídica. É um ato geopolítico. É uma tentativa de lembrar ao mundo que a lei americana, fundamentada na Constituição, ainda traça limites. Ela se recusa a se curvar diante do teatro processual de ditadores estrangeiros de toga.
Nesse sentido, De Luca fez mais do que abrir um processo. Ele traçou um mapa. Ele mostra como um único defensor determinado, munido de clareza de espírito e precisão jurídica, pode desafiar a tirania. Seja em uma colônia penal russa ou em um tribunal brasileiro envolto em segredo, o princípio permanece o mesmo. A liberdade não sobrevive por acaso. Ela deve ser defendida, caso a caso, contra aqueles que confundem poder com justiça.
Fonte: https://amuseonx.substack.com/cp/167754319
