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AUTISMO: COMO A SAÚDE MATERNA DURANTE A GRAVIDEZ INFLUENCIA O RISCO DE AUTISMO DE UMA CRIANÇA

  • A saúde da mãe durante a gravidez pode impactar significativamente a probabilidade de uma criança desenvolver autismo.
  • Poluição do ar, pesticidas e até mesmo o uso de maconha durante a gravidez foram associados a um risco maior de autismo, afetando o desenvolvimento do cérebro do feto.
  • Níveis mais altos de testosterona e progesterona no útero podem contribuir para o autismo, explicando por que os meninos são afetados com mais frequência do que as meninas.
  • Fatores ambientais podem influenciar a expressão genética sem alterar o DNA, afetando o desenvolvimento do cérebro e aumentando o risco de autismo.
  • Entender como os fatores pré-natais contribuem para o autismo pode levar a melhores estratégias de prevenção e intervenção precoce para dar suporte às crianças e famílias afetadas.

O transtorno do espectro autista (TEA) tem sido considerado uma condição primariamente genética há muito tempo. Mas novas pesquisas sugerem que a saúde materna durante a gravidez e fatores ambientais podem desempenhar um papel crucial na formação do risco de uma criança.

Um estudo de 2022 publicado no American Journal of Translational Research desafia o pensamento tradicional sobre autismo, sugerindo que o risco de uma criança não é determinado apenas pela genética, mas também é moldado pelo ambiente pré-natal. Essa perspectiva mais ampla pode levar a um melhor suporte para as famílias, decisões de saúde mais informadas e, finalmente, uma redução na prevalência do autismo.

O autismo é uma condição neurodesenvolvimental vitalícia que afeta o comportamento, a comunicação e a interação social. O transtorno teve um aumento dramático nas últimas décadas. Na década de 1970, o autismo afetava cerca de 1 em cada 10.000 crianças nos Estados Unidos.

Mas de acordo com estatísticas da Autism and Developmental Disabilities Monitoring (ADDM) Network, esse número é estimado em cerca de 1 em 36 crianças nos Estados Unidos. Apesar de pesquisas extensas, ainda não há cura e suas causas exatas permanecem obscuras.

Embora a genética desempenhe um papel inegável, os cientistas agora estão voltando sua atenção para fatores ambientais pré-natais – especialmente aqueles que afetam a mãe durante a gravidez. Evidências crescentes sugerem que as condições de saúde materna, a exposição a produtos químicos e os desequilíbrios hormonais no útero podem influenciar significativamente a probabilidade de uma criança desenvolver autismo.

Saúde materna e risco de autismo

Uma das descobertas mais marcantes do estudo é a ligação entre diabetes materno e risco de autismo. Mulheres diagnosticadas com diabetes tipo 1, tipo 2 ou gestacional até a 26ª semana de gravidez enfrentam uma chance maior de ter um filho com autismo.

Em estudos com animais, os filhos de mães diabéticas apresentaram comportamentos semelhantes ao autismo, incluindo interação social reduzida. Cientistas acreditam que altos níveis de açúcar no sangue em mulheres grávidas levam ao estresse oxidativo – uma condição que danifica as células e pode interferir no desenvolvimento do cérebro fetal. Esse estresse parece suprimir uma enzima chamada SOD2, que desempenha um papel protetor na função cerebral.

Desequilíbrios hormonais durante a gravidez também podem contribuir para o risco de autismo. Mulheres com síndrome do ovário policístico (SOP), uma condição caracterizada por níveis elevados de hormônios masculinos (andrógenos), têm 59% mais chances de ter um filho com autismo. Pesquisadores suspeitam que o excesso de testosterona no útero pode alterar o desenvolvimento dos sistemas neuroendócrino e neuroimune do cérebro, aumentando a suscetibilidade ao autismo.

Hormônios sintéticos, como aqueles encontrados em alguns medicamentos anticoncepcionais, também foram associados ao risco de autismo. Estudos mostram que exposições pré-natais à progesterona sintética podem induzir comportamentos semelhantes ao autismo ao afetar a expressão de genes-chave envolvidos no desenvolvimento cerebral.

Exposição química e riscos ambientais

Além da saúde materna, a exposição a certos produtos químicos durante a gravidez tem sido associada a uma maior probabilidade de autismo. Por exemplo, descobriu-se que mulheres grávidas que usaram maconha tinham 1,5 vezes mais probabilidade de ter um filho com autismo. Além disso, a exposição a pesticidas e produtos químicos industriais, como o glifosato, um ingrediente comum em herbicidas, tem sido associada a comportamentos semelhantes ao autismo em estudos com animais. 

Cientistas acreditam que esses produtos químicos podem interromper o desenvolvimento cerebral fetal alterando as vias neurais e interferindo no microbioma intestinal, que é cada vez mais reconhecido como um participante importante no desenvolvimento cerebral. Limitar a exposição a produtos químicos nocivos durante a gravidez pode, portanto, servir como uma medida de prevenção na redução do risco de autismo.

O fator gênero: por que os meninos são mais afetados?

Um dos aspectos mais intrigantes do autismo é seu forte viés de gênero – meninos têm cerca de quatro vezes mais probabilidade de serem diagnosticados do que meninas. Em casos de autismo grave, essa proporção pode ser tão alta quanto 11 para um.

O estudo sugere que os hormônios sexuais podem desempenhar um papel. Acredita-se que o estrogênio, um hormônio mais abundante em mulheres, tenha um efeito neuroprotetor. Pesquisas descobriram que crianças com autismo frequentemente apresentam níveis mais baixos de receptores de estrogênio, reduzindo a capacidade do cérebro de se beneficiar das propriedades protetoras do estrogênio.

Além disso, estudos genéticos indicam que meninas com autismo frequentemente carregam mutações genéticas mais graves do que meninos com a condição. Isso sugere um “efeito protetor feminino” – o que significa que as meninas podem ser mais resilientes aos fatores genéticos e ambientais que contribuem para o autismo. Os cientistas agora estão explorando como esses mecanismos de proteção podem ser alavancados para desenvolver novas estratégias de tratamento.

Epigenética: O elo perdido entre os genes e o ambiente

Embora a genética e os fatores ambientais tenham sido estudados separadamente por muito tempo, os pesquisadores agora acreditam que a epigenética – o estudo de como as influências ambientais podem modificar a expressão genética – pode preencher a lacuna entre os dois.

Fatores ambientais, como diabetes materno, exposição química e desequilíbrios hormonais podem levar a mudanças na expressão genética sem alterar a sequência de DNA em si. Por exemplo, o estresse oxidativo do diabetes materno pode modificar a maneira como certos genes funcionam, afetando potencialmente o desenvolvimento de neurônios, sinapses e estruturas cerebrais críticas para a comunicação e habilidades cognitivas.

Ao analisar essas mudanças epigenéticas, os cientistas esperam descobrir novos caminhos para entender as origens do autismo e desenvolver intervenções.

Olhando para o futuro: O caminho para a prevenção e intervenção precoce

Em última análise, o objetivo da pesquisa sobre autismo não é apenas entender a condição, mas desenvolver estratégias eficazes para prevenção e intervenção. O estudo destaca a importância da saúde materna na formação do neurodesenvolvimento de uma criança, oferecendo potenciais caminhos para reduzir o risco por meio do cuidado pré-natal.

À medida que a ciência continua a desvendar a complexa interação entre genes e fatores ambientais, a esperança é que esse conhecimento se traduza em soluções do mundo real, oferecendo novas maneiras de prevenir, diagnosticar e dar suporte a indivíduos com autismo.

Nos próximos anos, pesquisas contínuas sobre saúde materna e epigenética podem fornecer as peças que faltam no quebra-cabeça do autismo, transformando a maneira como abordamos a condição e melhorando os resultados para as gerações futuras.

 

Fonte: https://www.newstarget.com/2025-03-13-rethinking-autism-mothers-health-influence-autism-risk.html

 

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