Pular para o conteúdo
Início » LABORATÓRIOS DA USAID E PESQUISAS IMPRUDENTES SÃO CULPADOS POR SURTOS, DIZ ESPECIALISTA EM BIOSSEGURANÇA

LABORATÓRIOS DA USAID E PESQUISAS IMPRUDENTES SÃO CULPADOS POR SURTOS, DIZ ESPECIALISTA EM BIOSSEGURANÇA

  • O especialista em biossegurança Richard H. Ebright desafia a narrativa do New York Times, argumentando que o financiamento da USAID para pesquisas de alto risco e laboratórios estrangeiros mal regulamentados, e não cortes no orçamento, é o principal fator de surtos globais de doenças.
  • O Times alegou que o financiamento reduzido da USAID aumenta o risco de surtos de doenças infecciosas. Ebright contrapõe que o apoio irresponsável da USAID para pesquisas perigosas no exterior historicamente alimentou crises de saúde, não as preveniu.
  • As agências dos EUA, incluindo a USAID, gastaram bilhões na construção de laboratórios inseguros e no financiamento de pesquisas desnecessárias e de alto risco sobre patógenos no exterior. Ebright cita a doação de US$ 60 milhões da USAID para a EcoHealth Alliance para pesquisa do coronavírus SARS em Wuhan como um potencial catalisador para a pandemia da COVID-19.
  • Ebright critica a pesquisa de ganho de função, que aumenta a transmissibilidade ou virulência do patógeno, como não regulamentada e de alto risco. Ele pede supervisão independente para evitar futuros surtos causados ​​por experimentação imprudente.
  • Ebright e outros defendem a redução do financiamento para programas de pesquisa de alto risco, argumentando que isso evitaria futuras pandemias. Eles enfatizam a necessidade de responsabilização e reforma na forma como as agências dos EUA gerenciam e regulam a pesquisa global em saúde.

Em uma crítica contundente às reportagens recentes do New York Times, o especialista em biossegurança Richard H. Ebright, Ph.D., inverteu a narrativa, argumentando que a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e seu financiamento de laboratórios no exterior são os verdadeiros catalisadores para surtos globais de doenças — não os recentes cortes no orçamento da agência.

Ebright, professor de química e biologia química e diretor de laboratório no Instituto Waksman de Microbiologia da Universidade Rutgers, falou exclusivamente com o The Defender, contestando a alegação do Times de que a redução do financiamento da USAID está “preparando o cenário para surtos de doenças”. Em vez disso, ele afirma que o apoio imprudente da agência à pesquisa de alto risco e aos laboratórios mal regulamentados no exterior tem sido o verdadeiro impulsionador das crises globais de saúde.

A narrativa equivocada do Times

Na semana passada, o New York Times publicou um artigo intitulado “Deepening Peril of Disease As Trump Cuts Foreign Aid” [Aprofundando o Perigo de Doenças Enquanto Trump Corta Ajuda Estrangeira], alertando que as reduções no orçamento da USAID deixariam o mundo vulnerável a surtos de doenças infecciosas. O artigo citou autoridades atuais e antigas da USAID, membros de organizações de saúde e especialistas em doenças infecciosas, pintando um quadro sombrio de um mundo tornado “mais perigoso” pelos cortes de financiamento.

Mas Ebright, uma voz líder em biossegurança e biossegurança, diz que o Times errou completamente. “Os fatos da questão são que o apoio da USAID e de outras agências a laboratórios estrangeiros e pesquisas imprudentes no exterior tem preparado o cenário para surtos de doenças”, disse Ebright ao The Defender. “Acabar com essa insanidade preparará o cenário para reduzir surtos de doenças.”

Mary Holland, CEO da Children’s Health Defense, ecoou o sentimento de Ebright, afirmando: “A Dra. Ebright está certa — diminuir o papel dos EUA no financiamento da ‘preparação para pandemias’ reduzirá os surtos, não os aumentará”. Holland criticou o Times por espalhar o medo, observando que a mensagem central do artigo era “ter medo” da redução do financiamento, ignorando os perigos representados pelas ações passadas da USAID.

Milhares de milhões gastos em “laboratórios desnecessários e inseguros”

Ebright destacou a ironia da linha de abertura do Times, que destacou “patógenos perigosos deixados desprotegidos em laboratórios por toda a África”. Ele explicou que a principal razão para tais vulnerabilidades são os bilhões de dólares gastos por agências dos EUA — incluindo a USAID, a Agência de Redução de Ameaças de Defesa (DTRA) e os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) — para construir e financiar laboratórios no exterior.

“Agências dos EUA gastaram bilhões de dólares nas últimas duas décadas para construir laboratórios desnecessários e inseguros no exterior, e para financiar pesquisas desnecessárias e imprudentes sobre a descoberta e aprimoramento de novos patógenos perigosos em laboratórios no exterior”, disse Ebright. Ele citou a doação de 60 milhões da USAID para a EcoHealth Alliance, uma ONG agora impedida, como um excelente exemplo. A EcoHealth usou esses fundos para conduzir pesquisas de alto risco sobre coronavírus SARS em Wuhan, China — pesquisa que Ebright acredita ter levado à pandemia de COVID-19, que ceifou 20 milhões de vidas e custou à economia global 25 trilhões.

Ebright também revelou que a USAID havia alocado mais de 200 milhões para a EcoHealth e seus parceiros no Projeto PREDICT para descobrir novos agentes de armas biológicas no exterior. Antes do surgimento da COVID-19, a USAID estava até mesmo planejando uma expansão de 1,2 bilhão desse esforço por meio do Projeto Global Virome, com o objetivo de catalogar centenas de milhares de novos vírus. “Isso não é preparação para uma pandemia”, disse Ebright. “Isso é criação de uma pandemia.”

Pesquisa de ganho de função: um jogo perigoso

Ebright há muito tempo é um crítico da pesquisa de ganho de função, que envolve aumentar a transmissibilidade ou a virulência de patógenos. Em junho de 2024, ele testemunhou perante o Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado dos EUA, argumentando que tal pesquisa não tem aplicação civil e representa riscos significativos. “Os pesquisadores a realizam porque é rápida, é fácil, não requer equipamento ou habilidades especializadas, e foi priorizada para financiamento e foi priorizada para publicação por periódicos científicos”, disse Ebright durante a audiência.

Ele enfatizou que a pesquisa de ganho de função é amplamente desregulamentada, sem supervisão independente para garantir a segurança. “É preciso haver uma agência independente que supervisione e imponha regulamentação a esta comunidade científica que resistiu e obstruiu com sucesso a regulamentação por duas décadas”, disse Ebright ao The Defender.

Um apelo à responsabilização e à reforma

As revelações de Ebright ressaltam a necessidade urgente de responsabilização e reforma na forma como os EUA financiam e regulam pesquisas de alto risco no exterior. A pandemia da COVID-19 expôs os perigos de laboratórios mal administrados e experimentação imprudente, mas as agências dos EUA continuam a despejar bilhões em projetos que priorizam a descoberta em detrimento da segurança.

Como Ebright e Holland apontaram, reduzir o financiamento para esses programas não é uma ameaça à saúde global — é uma oportunidade de prevenir futuros surtos. “A USAID vem financiando pesquisas de ‘ganho de função’ ou armas biológicas no exterior há décadas, levando a vazamentos de laboratório e surtos indiscutíveis”, disse Holland. “A realidade é provavelmente o oposto do que o Times está sugerindo.”

A questão agora é se os formuladores de políticas darão ouvidos a esses avisos e tomarão medidas significativas para conter as práticas imprudentes que colocaram o mundo em risco. Para Ebright, a resposta é clara: “Acabar com essa insanidade preparará o cenário para reduzir os surtos de doenças.”

As apostas não poderiam ser maiores. À medida que o mundo continua a lidar com as consequências da COVID-19, as lições do passado devem orientar as decisões do futuro — antes que outra pandemia surja dos próprios laboratórios destinados a proteger as pessoas.

 

Fonte: https://pandemic.news/2025-03-13-usaids-overseas-labs-real-culprit-disease-outbreaks.html

 

Compartilhe

Entre em contato com a gente!

ATENÇÃO: se você não deixar um e-mail válido, não teremos como te responder.

×